Sunday, 28 March 2010

Ainda sobre a comunicacao

Por questoes de trabalho tenho de recorrer a interpretes quando os "clientes" nao falam ingles (ou obviamente Portugues porque estes clientes agora veem todos para mim).
Claro que ha linguas que nao entendo absolutamente nada e nao faco a minima ideia se o interprete esta' a transmitir fielmente o que eu estou a dizer e se me esta' a transmitir correctamente a mensagem do cliente.
Mas as vezes ate' entendemos a lingua, como foi o caso de um cliente Espanhol. O interprete estava la, mas eu percebi tudo o que ele disse e o que o cliente disse. Tive de corrigir varias vezes o interprete e sai daquele encontro com um amargo de boca. Nao estou a dizer mal do interprete, mas por vezes eles nao percebem patavina do contexto e no caso da intervencao social isto e' muito importante para se transmitir correctamente a mensagem.
Porque sao clientes especiais e com vulnerabilidades isto e' deveras importante.
Ando a pensar neste assunto ha' imenso tempo.

6 comments:

armilar said...

Welcome to my world!

Eu já perdi a conta das vezes em que tenho que corrigir 'interpretes' (diplomados!).

Desde traduções incompletas até dizerem exactamente o oposto do que lhes foi dito... é de bradar aos céus!

Seria de rir, não fossem circunstâncias muito sérias e de grande responsabilidade...

E pelo telefone, já apanhaste o pessoal da Language Line? Esses então são 'profissionais' na matéria... not!

Anonymous said...

Os intérpretes competentes e profissionais no Reino Unido têm o Diploma in Public Service Interpreting (DPSI), são membros do National Register of Public Service Interpreters (NRPSI) e têm de respeitar um código deontológico (www.nrpsi.co.uk).
O problema é que as agências (Language Line, The Big Word, etc.) contratam qualquer pessoa que fale duas línguas, sem se preocuparem com qualificações, competência, etc. porque querem pagar mais barato e explorar os intérpretes. Como é óbvio, os verdadeiros profissionais não se prestam a isto.
Se os Serviços Sociais recorrem a estas agências em vez de usar os intérpretes profissionais do NRPSI não se venham queixar, têm aquilo que pagam! "If you pay peanuts you get monkeys."

Seria bom que o senhor armilar se informasse antes de falar.

Carla said...

Anonimo/a

Sei bem que os interpretes tem de estar registados e cumprir um codigo deontologico. Os interpretes e mais uma serie de profissionais que tem codigos profissionais rigorosos e estao sujeitos a registo. Os assistentes sociais tambem e sabes que mais? Tambem erram e nao e' porque estao registados e tem codigos que sao perfeitos.

Nao obstante, acho que fui clara quando referi que o post nao era para dizer mal dos interpretes. O post e' e tao somente uma breve reflexao sobre aquilo que tenho experienciado no contacto com clientes que teem necessidade de um interprete. Apenas e so' isso.

Se nao respeitasse esta questao e nao a considerasse muito importante
1. nao falaria disso aqui;
2. nao requitaria um interprete sempre que tenho um cliente com dificuldades na comunicacao. Nada me obriga a isso (podia hablar um pouquito e a coisa saia mais ou menos) alem de que e' muito mais moroso fazer um trabalho com um interpreter.

Quanto aos servicos sociais e as suas escolhas das empresas para este tipo de servicos calculo que os contratos cumpram regras e que as empresas devem ter concerteza que apresentar creditos. Tambem calculo que corram o risco de perder contratos e isso nunca e bom. Nao me compete decidir sobre quem faz as traducoes, mas concerteza que posso recusar interpretes se nao os considerar adequados.

Anonymous said...

Cara Carla,
Sim, foi clara quando disse que o post não era para dizer mal dos intérpretes, mas o armilar arrasou...

Quando diz que nada a obriga a requisitar um intérprete (se não falar a língua do utente), não é bem assim:

"The 1998 Human Right Act and the Race Relations (Amendment) Act 2000 place duties on Local Authorities and others to carry out their functions with due regard to the need to promote equality of opportunity and to provide racially, culturally and linguistically appropriate services to families and children in need."

"The Race Relations (Amendment) Act 2000 states that one of the key new duties is “to improve access to information and services for people from minority ethnic communities”. Public agencies have an obligation in which their arrangements for the provision of and accessing interpreting have been specified."

"Under the terms of the Disability Discrimination Act 1995, all public services are required “to make reasonable adjustment” to accommodate the needs of disabled people. For deaf people this includes the provision of appropriate communication support."

Faz muito bem recusar intérpretes quando considera que não são adequados. Os intérpretes profissionais que, como eu, têm amor à profissão agradecem-lhe.

Saudações tugas.

Inês

Carla said...

Ola' Ines,

Bem vinda :)

E' verdade que as pessoas que nao falam a lingua ou tem outras dificuldades de comunicacao tem direito a um interprete.
Eu levo isto ainda mais longe, nem devia ser necessario perguntar, deviamos sempre ser obrigados a recorrer a um interprete independente.
Ha zonas cinzentas nesta questao, se a pessoa tiver um familiar, um amigo, um vizinho que indique como pessoa que pode ajudar na traducao nao e' necessario recorrer a 1 interprete independente. Mas a minha questao e' quem me diz a mim que aquela pessoa esta a traduzir correctamente? quem me diz a mim que esta a agir nos melhores interesses do meu cliente?
A pessoa tambem pode falar ingles mas com limitacoes e se isso nao for tido em conta a pessoa (cliente) fica em grnde desvantagem.

Tudo isto para reconhecer a importancia da lingua e da cultura e o quanto isto e' importante em questoes de cidadania e inclusao social. Isto sao apenas observacoes "avulsas" nem posso considerar reflexoes.
Ultimamente esta questao tem sido quase uma constante a nivel profissional. E acho que aos poucos me vou interessando e questionando mais.


Boa pascoa!

Anonymous said...

Carla,
Um dos (muitos) problemas de usar familiares, amigos, vizinhos, etc. para interpretar é a não garantia de confidencialidade. Ninguém garante que esse amigo/vizinho não vai directamente para o café português mais próximo contar tudo o que ouviu (por vezes assuntos muito pessoais). Já um intérprete profissional é obrigado a guardar e respeitar a confidencialidade e, se não o fizer, está sujeito a acção disciplinar e poderá até ser expulso do NRPSI.

Também há o problema da imparcialidade, conhecimento da terminologia, etc.

Parece simples mas não é! :)

Boa Páscoa!

Inês